ESTE BLOG MUDOU DE ENDEREÇO!!!
http://cogitoergosumcris.blogspot.com/
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Pessoal, a partir de hoje este Blog muda de endereço. Pretendo fechar minha conta no UOL e tive receio de que apagassem meu tão prezado Blog. O novo endereço é: http://cogitoergosumcris.blogspot.com/ Peço que atualizem este endereço nos seus favoritos e que continuem a interagir lá comigo. Muito obrigada e que continuemos juntos! Um forte abraço.
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Escrito por Cris às 01h28
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O "causo" do gênio de 8 anos que passou em Direito na Unip
Quando li a notícia no UOL confesso que não acreditei. O texto falava sobre a aprovação do garoto no "vestibular agendado" da instituição e, pior, falava que os pais queriam batalhar para que o garoto pudesse cursar a faculdade. Ao lado, uma foto do garoto de terno e gravata e, abaixo, sua declaração, falando que pretendia se formar com 12 anos e ser juiz com 18. Hein? Não sei o que é pior: 1) Seria o fato de o garoto ter se inscito e feito a "prova agendada" sem nenhum questionamento ou estranhamento por parte dos funcionários da instituição de ensino? OU 2) Seria o fato dos pais do pobre garoto acharem que ele devia, sim, fazer a faculdade e dizerem que era "vontade dele"? Depois, Luciana Gimenez chamou os pais e alguns especialistas em direito, psicologia e educação para opinarem. Luciana dizia: "Meu deus, mas ele é muito inteligente, passou num vestibular para Direito, está preparado!" "Meu filho também é genial, ele passará em Harvard, em Stanford!" e outras pérolas. Os pais da criança me meteram medo, orgulhosos que só eles, como se o filho fosse um futuro Eistein, como se tivesse realmente, feito algo muito grande. E também diziam o tempo todo que o garoto deveria, sim, poder fazer o curso, que ele poderia cursar as disciplinas mais pesadas, como Medicina Legal, quando já estivesse mais velho, "com 12 anos", disse a mãe. Hein? Não viam que o filho apenas é um garoto inteligente, com uma inteligência comum a qualquer garoto da idade dele inteligente, que foi vítima de um processo de seleção mal feito e, pior, eles encorajavam o garoto, parecendo não se darem conta da bizarrice contida no fato de almejarem ver o filho junto a jovens maiores de 18 anos, que estão em outra fase social e até mesmo sexual da vida. O que ele ouviria? Como se encaixaria neste grupo? Como se encaixaria no grupo escolar próprio de sua idade, após iniciar este convício com os mais velhos? Fico pensando: esses pais devem ser frustrados pois o garoto é inteligente, então por que não apoiá-lo e não terem a consciência de que ele pode, aos 18 anos, entrar numa faculdade com mais prestígio do que Unip? E eles insistem, colocando na cabeça da criança uma ilusão desnecessária. Não quero ser injusta, mas fica parecendo que queriam, com isso, apenas aparecer. Porém, pensaram que apareceriam de maneira positiva, mas apareceram de maneira extremamente negativa, passando por tolos enganados e megalomaníacos. O problema central, a questão central neste evento, diz respeito às instituições de ensino brasileiras e, mais especificamente, às instituições particulares. Quanto custa o ensino? O que fazer com o problema do ensino como mercadoria? Aguardo sua opinião.
Escrito por Cris às 01h27
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Corrida presidencial nos EUA
Uma vez definido o candidato dos republicanos (John McCain), os EUA seguem rumo à definição do candidato democrata. Nada está definido, mas os últimos números apontam para uma vantagem de Barack Obama sobre Hillary Clinton. Pesquisas de opinião têm apontado uma vantagem de Obama sobre Clinton de mais de 10 pontos percentuais e Chris Dodd manifestou seu apoio a Obama. Dodd é o primeiro dos pré-candidatos democratas a apoiar Obama, mas analistas políticos acreditam que John Edwards deverá fazer o mesmo. Ataques não têm faltado nesta disputa democrata, o que não é novidade no cenário político americano, onde a estratégia de atacar o oponente durante a campanha é algo corriqueiro. Pensando, agora, na vitória do candidato democrata à corrida final pelo cargo de maior poder em todo o mundo, é interessante notar como ambas as opções trarão mudaças significativas na história política daquele país. Ou ganha uma mulher ou ganha um negro. É bem verdade que Clinton representa a continuidade, a perpetuação do clã dos Clinton no poder, enquanto Obama traz o novo, a renovação. Mas, ainda assim, ambos representarão uma mudança. Será interessante ver uma mulher ou um negro à frente da presidência dos EUA, e isso traz uma renovação na fé democrática. A subida de uma mulher ao posto máximo da nação em um mundo ainda machista, ou de um negro em mundo ainda racista é, sem dúvida alguma uma vitória. Os EUA ganham, a democracia ganha, todos nós ganhamos.
Escrito por Cris às 21h14
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Balanço
Olá, caros leitores! Aqui estou eu depois de 2 anos e 2 meses! Q absurdo, nem parece que tanto tempo se passou... Muitas coisas aconteceram na minha vida, algumas péssimas, horríveis, como o falecimento do meu pai e outras fabulosas, ligadas à minha vida pessoal e profissional. Quando escrevi o último post o mestrado nem havia começado ainda, e agora aqui estou eu, na reta final! Claro que os acontecimentos do ano passado atrapalharam um pouco o andamento da minha vida acadêmica, estava tudo muito produtivo e subitamente me vi tendo que deixar os estudos um pouco de lado... Então, agora no dia 21/01/2008, finalmente, eu qualifiquei! Participaram da minha banca os Profs Drs Cícero Araújo e Wagner Mancuso. Medo, aflição, insegurança, afinal, é a primeira vez em que nosso trabalho é efetivamente lido e avaliado por gente de peso... mas quer saber? A-DO-REI!!!!!!!! Acho q devíamos qualificar todos os semestres e sempre com uma banca do gabarito da minha. Foi excelente, com dicas, direcionamentos, enfim, estou muito feliz, apesar de ter visto o desafio do tema que escolhi, que envolve democracia, valor eqüitativo das liberdades políticas e financiamento de partidos políticos e campanhas eleitorais. Simples, muito simples. Mas, também, o que é a vida da gente sem um bom desafio,não é mesmo? No próximo post conto um pouco mais sobre a minha pesquisa. De resto é isso, voltar (ou pelo menos tentar) à ativa e vamo que vamo: vamos em frente que atrás vem gente! Que 2008 seja um ano de muitas alegrias e realizações, e que a ignorância sucumba e o bom senso prevaleça. Um grande beijo a todos.
Escrito por Cris às 22h35
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Torcer pelo time ou torcer o pescoço de alguém? Eis a questão.
No sábado, dia 17/12 fui dormir bem tarde (ou bem cedo, como queiram), como é de direito de qualquer cidadão livre. Na manhã do domingo, dia 18/12, fui acordada com um grito, num auto-falante, ou sei lá o quê: “SÃOOOOOOO PAAAAULOOO!!!” E aí começou uma baderna horrível, gritaria, pessoas tentando virar ônibus, pessoas batendo em carros, enfim, tudo que possa haver de mais deplorável. E havia, também, um carro com auto-falantes que repetia incansavelmente: “PÁRABÉNS TORCIDA INDEPENDENTE, PARABÉNS!”
E lá, deitada na cama, apertando a cabeça com o travesseiro para abafar o som e em sobressalto a cada fogo de artifício que soltavam, fiquei pensando neste, digamos, “fenômeno”.
Acho que gostar de um esporte, de um time é, até mesmo, saudável. Mas fico pensando nesses torcedores “fanáticos”, nessas torcidas organizadas. A impressão que tenho é a de que se trata de pessoas que, carentes de uma realização pessoal de grande vulto, transferem seu desejo de serem “alguém” para o time de futebol, para os jogadores. E se matam em nome dessa paixão, destroem vidas e bens de terceiros. E os jogadores? Oras, os esportistas rodiziam dentre os diversos times de acordo com seu interesse profissional e financeiro. Enquanto os esportistas, que ganham milhões, jogam e seguem suas vidas, os torcedores apaixonados chegam a um tamanho grau de cegueira que faz com que confundam suas vidas com a do seu time, com que, não raras vezes, percam a noção do moral e socialmente aceitável e prejudiquem outras pessoas. Violência, infelizmente, é um termo facilmente associado à tais torcidas.
Tenho aqui em casa um livro de sociologia sobre torcidas organizadas. Assim que me sobrar um tempinho prometo lê-lo e comentar aqui as minhas impressões.
Ressalto aqui que o que me moveu a iniciar essa discussão foi o ocorrido aqui perto de casa, mas este é um fenômeno que poder ser observado na grande maioria dos países.
O que você pensa sobre esta questão?
PS: É importante ressaltar que não estou, em hipótese alguma, querendo dizer que este seja um problema somente dos torcedores do São Paulo. A observação nos permite constatar que este é um fenômeno generalizado, independente de time e, como já foi apontado no texto, verificado em diversos países.
Escrito por Cris às 15h44
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Caros amigos,
É com enorme satisfação que venho até este meu quase não visitado, porém por mim adorado, BLOG falar que passei no Mestrado :o) Aêeee!!!
Agora é trabalhar duro e procurar produzir algo que, efetivamente, possa trazer algo de bom para a sociedade. Afinal, como já dizia o poeta, "quem tem um sonho não dança" rs.
Grande beijo a todos.
Escrito por Cris às 15h35
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Pequena pausa
Aos poucos, porém valiosíssimos amigos que acompanham esta humilde página,
Não ando atualizando meu BLOG porque ando mergulhada nos assuntos da prova de Mestrado e, como vocês sabem, esse tipo de avaliação ceifa a criatividade e a inspiração hehehe. Mas é verdade, as idéias me fluíam melhor quando eu apenas pensava na confecção do projeto, mesmo até porque aí você estuda o que gosta e o que realmente interessa.
Bom, chega de explicações! Em resumo peço desculpas pela minha falta de atualização e peço aos meus amigos que torçam por mim, para que este BLOG possa ser enriquecido com o Mestrado. Caso contrário vou ter que tratar de assuntos de Marketing aqui! hehehe.
Beijo a todos.
Escrito por Cris às 14h28
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Povo ou ralé?
“É possível sustentar que, embora criminoso ou estúpido o objetivo que a norma democrática pode alcançar em um determinado conjunto de fatores históricos, a vontade do povo deve prevalecer, ou, pelo menos, que não deve ser contrariada, exceto de maneira sancionada pelos princípios democráticos. Mas, nesses casos, é muito mais natural falar em ralé em vez de povo, e combater-lhe a criminalidade ou estupidez por todos os meios disponíveis.” (Joseph A. Schumpeter - Capitalismo, Socialismo e Democracia)
Acho ótima essa frase de Schumpeter contida em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia, de 1942.
Existem várias visões da Democracia e uma delas é a da Democracia como método político, incapaz de um fim em si mesmo. Daí surgem aquelas situações em que processos claramente democráticos podem levar a resultados indesejados. Citemos como exemplo casos de perseguição a minorias (políticas, religiosas, etc), aprovados pela maioria. Se uma determinada decisão é tomada de acordo com o método democrático, é garantido que ela será justa? Evidentemente não. E aqui adentramos no terreno da justiça, o terreno do que é moralmente aceitável e ético.
Mas o que chama mais a atenção no trecho transcrito acima é a questão do povo, de quando ele adota uma postura que o faz deixar de ser povo para tornar-se “ralé”.
Existe aquela questão: freqüentemente quando estão em grupo as pessoas agem e adotam certas posturas em desacordo com suas crenças individuais. Em outras palavras, muitas vezes quando fazem parte de um grupo as pessoas se portam de uma maneira que jamais se portariam se estivessem sozinhas. O problema maior ocorre quando, motivados pela opinião pública, os cidadãos passam a tomar/apoiar decisões prejudiciais ao andamento de uma sociedade mais justa.
Afinal, como evitar que o povo incorpore a referida “ralé”? Como combater a “criminalidade ou estupidez”?
Escrito por Cris às 15h52
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Irresistível!!!

Pessoal, procurando a imagem para o post sobre Malufismo, me deparei com esta sátira e não poderia deixar de compartilhá-la com vocês. Lembrem-se de que este snehor também disse q as professoras não eram mal remuneradas, mas sim mal casadas... Lamentável...
Ref da imagem: http://www.tdbrother.blogger.com.br/Maluf-na-cadeia.jpg
Escrito por Cris às 21h48
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Partidos políticos II - a missão
Recebi diretamente vários comentários de amigos leitores a respeito de meu texto sobre Lula e PT.
Uns alegaram que eu estava sendo branda com Lula e/ou PT, outros diziam que nem sempre a corrupção foi tamanha e outros disseram q eu tinha uma visão errada do PT. É uma pena que estes leitores não manifestem sua opinião sob a forma de “pitaco” aqui no BLOG, pois assim todos os leitores teriam acesso a essas opiniões, o que enriqueceria muito nosso debate.
O que me preocupa ainda é a visão das pessoas de que o PT é muito diferente dos outros partidos. Procurei ser o mais clara possível no que se refere à minha opinião sobre partidos políticos. Não defendo o PT e nem nenhum outro, e também não os ataco além do necessário. Para tentar esclarecer um pouco isso que procurei passar, vou transcrever aqui um texto do UOL com a opinião do cientista político Walder de Góes.
Em tempo, também sugiro a leitura do livro Esquerda e direita no eleitorado brasileiro, de André Singer.
"Um partido é de esquerda só até ser eleito", diz cientista político
Da Redação
O Partido dos Trabalhadores comemora hoje 25 anos de vida. Os que estão no governo, incluindo o presidente Lula, claro, admitem que governar é bem mais complexo do que fazer oposição. E os que estão mais longe do poder, os da ala mais à esquerda do partido, dizem que o PT perdeu o rumo. A festa ficou pra março, pelo menos depois que já se souber quem é o presidente da Câmara. O partido tem mais de 800 mil filiados, governa 411 prefeituras, três Estados e, por enquanto, tem a maior bancada da Câmara: 90 deputados. Para o cientista político Walder de Góes, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, o PT está num processo de amadurecimento comum aos partidos de esquerda que chegam ao poder. "O PT ainda não amadureceu. E 25 anos é insuficiente para seres humanos e também para instituições criarem juízo. Mas o PT está vivendo um processo acelerado de transformação". O analista contou a Lillian Witte Fibe que em 89, depois da primeira derrota de Luiz Inácio Lula da Silva, ele já acreditava que o partido estava passando por mudanças. "Cometi um erro, porque seriam necessárias mais duas derrotas para que o PT fizesse uma trajetória parecida com a que aconteceu em outros lugares do mundo. Por exemplo na Itália, com o Partido Comunista, e na Inglaterra, com o Partido Trabalhista. Esses partidos migraram da esquerda para o centro e criaram uma nova identidade". Questionado se existe espaço para partidos de esquerda no Brasil e no mundo, Góes foi categórico: "um partido é de esquerda só até ser eleito".
O PT está fazendo o que se esperava? Walder de Góes disse que o PT se surpreendeu com a magnitude da tarefa política que pegou pela frente. "Eles foram pegos de surpresa, não sabiam que era tão exigente. Talvez tenhamos de dar mais tempo para que o partido amadureça". Ele lembrou que o PT tem evitado grandes plenários para não bater de frente com a militância. "Se pensarmos na convenção nacional do PT, que se reunirá em setembro, mais da metade está mais à esquerda do que o governo Lula. O partido está transitando da esquerda para o centro, o que significa uma mudança ideológica muito importante".
PT e PSDB são diferentes? Para o cientista político há uma disputa programática no centro entre PT e PSDB. "A diferença ideológica entre eles é muito pequena. O PT concorda com o compromisso macroeconômico, mas acredita mais fortemente que através da ação estatal possa promover crescimento econômico e distribuição de renda. Já o PSDB tem uma postura mais liberal, com menos força do Estado". Segundo Walder de Góes, o centro é a faixa dominante e sairá vencedor quem conseguir fazer seu melhor papel. "Se um PT com sua marca histórica ou um PSDB que saiba se distinguir da social democracia pregada pelo PT. Porque o virou também uma social-democracia. Há uma identidade disputada pelos dois partidos. É uma briga interessante".
Página da web: http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/entrevistas/2005/02/10/ult2614u86.jhtm
Escrito por Cris às 18h56
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Diálogos da Classe Média II - Malusfismo

- Ai, mas esses políticos não prestam mesmo, hein.
- Verdade... roubam, ficam só viajando, vagabundeando, e não fazem nada.
- Verdade, por isso que eu sinto saudades do velho e bom Maluf...
- Com toda certeza, afinal, ele rouba mas faz!
Ref da imagem: http://www.reidoriso.theblog.com.br/maluf.jpg
Escrito por Cris às 18h55
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Seria Lula o anticristo e o PT a sua alcova? E seriam o cientistas sociais os culpados pelos males da humanidade??
 
Eu não ia comentar o assunto aqui porque a proposta deste espaço não é o debate sobre eventos pontuais. Porém, em virtude do grande número de pessoas quem têm me perguntado o que penso sobre o caso apelidado de “Mensalão”, tecerei aqui um comentário muito breve sobre o assunto.
Em primeiro lugar acho muito engraçado o tom com que muitas pessoas me perguntam sobre o caso. E sei que muitos dos meus colegas de profissão têm passado pelo mesmo. Pelo fato de eu ser cientista social e, pior, por estudar Ciência Política, as pessoas deduzem que:
(a) Sou de extrema esquerda.
(b) Sou petista
(c) Tinha culpa quando o ex-Presidente FHC fazia algo que as pessoas não aprovavam porque, afinal, ele era um “Sociólogo” (palavra que costumava ser proferida em tom de desdém)
(d) Tenho culpa pelos eventos que vem acontecendo no atual governo, e que são considerados negativos por essas pessoas, porque trata-se de um governo “de esquerda” e petista
Minha atitude frente à questão dos partidos políticos é puramente profissional- acadêmica. Não sou afiliada a nenhum partido político exatamente para que mais tarde, ao tecer alguma crítica, não venham me dizer “Ah, ela fala isso pq há 20 anos atrás era afiliada do partido tal” ou ainda “Nossa, mas que traíra, como pode criticar este governo se no passado foi afiliada deste partido?”
Paridos políticos...
Numa sociedade de massa, o papel dos partidos políticos não é mais o de política de classes. Nessa nossa sociedade os partidos também se massificaram. Eles têm ampliado ao máximo as agendas a serem trabalhadas exatamente para atrair o maior número de votos possíveis, de todas as classes econômicas e profissionais. Existe, também, a questão das alianças partidárias sem as quais o governo se torna simplesmente impossível. Os partidos são, hoje, o que se poderia chamar de “máquina de arrecadar votos”. Essa é a verdade. Entendo a revolta frente às – graves – denúncias de corrupção que vêm eclodindo no atual governo. Afinal, o PT é o partido cujos membros participaram de uma espécie de “sonho revolucionário da classe trabalhadora”, sempre tão comprometido com a verdade, a transparência e a honestidade. E sempre gosto de lembrar, também, que ser oposição é relativamente fácil, difícil é ser situação. Continuo a achar que a subida do PT ao posto maior da República está sendo um grande exercício de Democracia no nosso país. Desde a maneira pacífica com que ocorreu a transição até pelo fato de a transição no poder ser algo altamente desejável numa Democracia. Some-se a isso o fato de a oposição (o PT foi considerado por anos a “oposição por excelência”), finalmente, encarar o papel de situação e compreender, com isso, a importância de críticas construtivas quando se está do outro lado da mesa. O papel da oposição numa Democracia é importantíssimo, ele é regulador e traz à tona assuntos de interesses como políticas públicas que podem facilmente serem esquecidas pelos governantes se não houver uma oposição forte e consistente, que defenda estes pontos. Ser oposição e ficar criticando a situação de maneira irresponsável é, também, algo muito prejudicial á própria imagem da classe política e, em última instância, à Democracia. Se o PT e todos os outros partidos compreenderam qual é o papel que devem desempenhar enquanto partido de oposição, isso só o tempo dirá.
Agora sobre o caso do Mensalão... muitas pessoas sempre foram contra o governo PT e/ou Lula, e agora se encontram deleitados com essas acusações, entoando o mantra: “Eu não falei???” aos quatro cantos. Não apoio a compra de votos em nenhuma situação, e muito menos a corrupção, seja ela qual for. Porém, ficar horrizado como se a corrupção fosse algo inerente ao atual governo, já é demais. Meu sonho, bem como o da maioria dos cidadãos, é viver em um país justo e ético, livre dos males da corrupção. Porém, quer queira, quer não queira, ela está aí muito viva na nossa sociedade, arraigada em praticamente todos os níveis e também na política. Aliás, eu ousaria dizer que a política é o habitat por excelência da corrupção. E aqui cairemos novamente na questão de accountability, maior envolvimento dos cidadãos em fiscalizar seus eleitos, blá, blá, blá. O caso da compra de votos está aí, não é o primeiro governo em que ele acontece, foi denunciado por motivos vergonhosos, absolutamente todos os envolvidos devem ser punidos, sobretudo no julgamento da opinião pública (isso que é o mais difícil).
Agora, atribuir a corrupção ao atual governo simples e puro, isso não. Devagar com o andor.
Resta saber qual a lição que os partidos políticos e, mais ainda, os cidadãos tirarão deste episódio.
Escrito por Cris às 17h13
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A Democracia dos antigos combina com o mundo moderno?
Hoje vou falar de um assunto que é bastante discutido em Ciência Política, a questão da comparação entre o tipo de Democracia que vigorava antigamente (na Grécia, que se entenda bem) e a que vigora nos tempos modernos.
Quando pensamos em Democracia nos dias de hoje, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a imagem do dia das eleições. Cidadãos enfileirados, aguardando para exercer seu ato maior de cidadania política: o direito de voto. Essa imagem nos vem à cabeça porque a Democracia que adotamos atualmente é a representativa. Em outras palavras, no dia das eleições nos dirigimos aos postos de votação e depositamos na urna um pedaço de papel (ou digitamos algumas teclas) que contém o nome do candidato ou do partido político que desejamos ver exercendo a política em nosso nome. Nosso papel limita-se a votar no dia das eleições e, no melhor dos casos, a acompanhar o desempenho de nosso candidato e/ou partido político para que possamos ser capazes de repetir nosso voto ou “punir” aqueles que não exerceram seu papel como deveriam, não mais votando neles.
Quando os antigos pensavam em Democracia, a imagem que lhes vinha à cabeça era totalmente diferente desta. A imagem que lhes vinha à cabeça era a de uma multidão reunida numa praça e deliberando sobre os assunto políticos pertinentes à sociedade. Para eles a Democracia era a chamada Democracia Direta.
Muitas pessoas criticam a Democracia dos modernos, dizendo que a Democracia real é aquela em que o povo participa diretamente. Isso é verdade? Com certeza não. O termo “Democracia” engloba muito mais do que apenas a questão do “como deliberar”. Ela engloba questões de participação, mas também de competição política, de defesa de direitos e liberdades, tudo que, por definição, não encontraremos numa Tirania.
Aos que fazem essa crítica proponho o seguinte exercício: imagine se nos dias de hoje vigorasse a Democracia Direta. Pensemos no Brasil. E nem é preciso pensar na questão da deliberação em nível nacional. Pensemos em nível municipal, pensemos na cidade de São Paulo. Imaginem a cena: cerca de 16 milhões de pessoas se encaminhando para uma praça (e que praça!) para deliberar sobre a questão da violência, da corrupção, dos impostos... e isso dia após dia. Acho que isso é algo inimaginável.
Com a escala populacional que os países alcançaram, o exercício da Democracia Direta tornou-se algo impensável. Mas como fazer com que a população continue envolvida com política, mesmo tendo quem delibere em seu lugar? Baterei sempre na mesma tecla: através da democracia direta realizada em pequena escala, nos bairros, nas escolas, nas pequenas associações. Os antigos chamavam de “idiotas” as pessoas que viviam ilhadas em seu pequeno mundo particular, totalmente alheias ao que se passava em sua volta, à política, por assim dizer. Ouso aqui dizer que hoje vivemos num mar de “idiotas”. Como fazer com que a democracia direta seja exercida por pessoas que acham “muito trabalhoso” acompanhar esporadicamente o desempenho de seu candidato para saber se deve ou não votar nele novamente nas próximas eleições?
E não falo aqui das pessoas menos favorecidas (a estas seria preciso dar, primeiramente, a condição de comer, morar e estudar dignamente), mas sim dos integrantes das classes média e alta, médicos, engenheiros, comerciantes.
Outro dia, numa das minhas andanças por uma livraria, folheei um livro e me deparei com a seguinte afirmação: o azar das pessoas que não gostam de política é serem governadas pelas que gostam.
Tirem suas próprias conclusões.
Escrito por Cris às 12h40
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Diálogos da Classe Média I - Racismo

- Você viu a filha da Luzia???
- O que aconteceu???
- Ta namorando com um preto, menina! Você não soube?
- O quê...!!!??? Não acredito! Coitada da Luzia, como ela está? E o Geraldo?
- Ah, arrasados, né, minha amiga, arrasados. Imagine você. Agora você tem uma filha, dá tudo do bom e do melhor, faz das tripas coração pra criar e o que recebe em troca? Ela vai e se engraça com um pretinho???
- Nossa, se fosse na minha família não sei o que eu faria... Um absurdo, um absurdo.
- Ué, Maria, mas não foi sua sobrinha que casou com um político corrupto que está preso?
- Ah sim, mas veja você, ele é de família boa, viu, tradicional... e o que ele fez não foi crime nenhum, todos os políticos têm que ter um caixa 2, oras.
- Ah, sei...
- Mas voltando o assunto, o que faz o crioulo da vida? É lixeiro? Traficante? Ou é vagabundo mesmo?
- Ah, o rapaz é dentista.
- Dentista??? Meu Deus do céu, mas dentista por onde? Veja você, antigamente não era qualquer um não que tinha título de doutor assim. Tinha que ser de família tradicional, de boa família! Hoje qualquer pé de chinelo se forma por aí.
- Á verdade, é por isso que eu digo que esta juventude está perdida.
- Concordo com você! Que vergonha!
(Ref da imagem: http://www.terra.com.br/istoe/1793/fotos/racismo_01.jpg)
Escrito por Cris às 19h32
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Diálogos da Classe Média
Se existe uma pessoa cuja oratória admiro, esta pessoa é Marilena Chauí. Sempre que a vejo falando penso comigo: “Se um dia eu tiver 1% da capacidade de oratória desta mulher serei uma pessoa feliz”.
Pro Grupo de Leitura e Reflexão li um texto desta brilhante filósofa que me fez rir muito... O texto se chama “Um retrato sem retoques da classe média brasileira” (in Revista Pau-Brasil no 9, Nov/dez, 1985). É incrível como, através de diálogos, ela conseguiu reproduzir tantos traços de hipocrisia da nossa classe média, eu lia e ria, boba com o fato de já ter ouvido frases como aquelas inúmeras vezes ao longo da minha vida.
Então tive a idéia de escrever esporadicamente aqui no BLOG alguns pequenos diálogos que traduzem de maneira fiel o que é nossa classe média. Sinto-me livre e capaz para fazê-lo. Livre pelo fato de fazer parte do objeto, o que acredito que me dê maior liberdade para criticá-lo e também capaz pela experiência do olhar distanciado e de estranhamento que a fantástica Antropologia me ensinou a ter.
Os diálogos não refletem a minha opinião, mas representam frases que já ouvi ou são inspiradas em situações que já presenciei. Acredito que muitos dos diálogos serão familiares para muitos dos amigos leitores.
Vamos colocar o dedo na ferida?
(Ref da imagem: http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_24/demochauiimagem/chaui.JPG)
Escrito por Cris às 16h38
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